Desde que me conheço como um ser e não como uma junção de partes, torço para o Cruzeiro. O único brinquedo que guardo em meu guarda-roupa é um ursinho pequeno e singelo que tinha o escudo do Cruzeiro no seu peito, mas do lado direito - pensando agora, é curioso que esteja do lado direito e não do esquerdo. Digo tinha o escudo, pois após inúmeras surras da vida e de outros, e de cirurgias de recomposição das pernas, dos olhos e dos braços, as estrelas celestes hoje não aparecem mais. Esse ursinho foi dado a mim por meu pai.
No Brasil, e em minha experiência familiar, o futebol é uma herança paterna, repassada e reelaborada geração após geração. Talvez por isso minha relação com o futebol seja melancólica e nostálgica de um tempo que não existiu. Joguei futebol. Fui goleiro e lateral direito, mas nunca houve um sentimento de pertencer àquele espaço e àquela euforia. Embora me emocionasse e chorasse ao ver o gol do Cruzeiro contra o Guarani no Mineirão – último jogo em que fui ao campo – sempre me senti como contemplando um aquário inatingível. É uma relação nostálgica fina de querer voltar a um espaço ao qual jamais pertenci.
Talvez se quiséssemos buscar alguns nomes do Pai, recorrer ao futebol seria uma saída. Sou de uma geração de filhos da mãe, mas sou filho de meu pai e esse sangue arde aqui.
Todo esse preâmbulo é necessário porque redescobri o futebol no abraço de meus amigos. Hoje moro no Ceará. Descubro que o Brasil é gigante cada vez que desço em Confins e dou um cheiro em cada uma das pessoas desse blog. Cada vez mais sei que essa vida é uma arte de encontros embora haja tantos desencontros por essa vida.
Ah,ontem o Cruzeiro ganhou do Santos por 1 x 0 com um gol do Raniel. Ontem também foi a estreia de Cuca à frente do Santos e houve uso do árbitro de vídeo no jogo. O jogo foi bem morno e sem muitas excitações – alguns diriam que a defesa do Fábio foi um momento assim, mas não eu.
Como todos meus amigos já usaram as citações fílmicas que queria usar, por hoje não as há.