quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Os fracos jogam, os fortes caem.

Campinense 1 x 0 Guarany
Fortaleza 4 x 0 CRB

Deus, o que foi que aconteceu no fim de semana? Nesse final de semana aconteceu uma desgraça, uma tragédia, uma sucessão de fatos que originariam um livro do Mario Puzo. Nesse final de semana aconteceu a última rodada da primeira fase da Série C. Vou tentar explicar o início rapidamente: a tabela acima é um dos grupos do campeonato, os dois primeiros times do grupo irão para o mata-mata, e o quinto lugar é rebaixado para a Série D. Simples assim, na última rodada estavam em jogo a classificação para a próxima rodada e o rebaixamento de uma equipe para a Série D. O único time que já estava tranquilo era o América de Natal. Dois jogos, o Campinense (de Campina Grande, interior da Paraíba) jogou contra o Guarany de Sobral (do interior do Ceará) e o Fortaleza (da capital do Ceará) jogou contra o CRB (de Maceió). Os dois começaram ao mesmo tempo e os resultados foram inacreditáveis.
O jogo Guarany e Campinense foi complicado. O jogo continuou no zero a zero. O time do Campinense foi vaiado pela própria torcida, eles sabiam que o único resultado aceitável era a vitória.
Enquanto isso, o Fortaleza estava ganhando de dois a zero do CRB. Interessante dizer que dois jogadores do CRB foram expulsos na jogada do segundo gol do Fortaleza. O jogador que cometeu a penalidade foi expulso e logo após, o goleiro foi expulso. O que aconteceu? Carlinhos Bala foi chutar e errou o pênalti. O goleiro feliz, supostamente, chutou a bola num gandula. O juiz foi lá e o expulsou por isso. O técnico do CRB já tinha feito três alterações e por isso, um volante teve de ir agarrar.
O intervalo teve outro acontecimento curioso. Os dois times citados agora, demoraram cerca de trinta minutos para voltar ao campo. Trinta minutos, isso mesmo. O Fortaleza trocou de uniforme e apareceu com um branco, igualzinho o do CRB. O juiz, naturalmente, pediu que eles trocassem. Os dois times ganharam vantagem para saber qual era o resultado do outro jogo, que acontecia ao mesmo tempo. Até lá, estava zero a zero ainda.
Guarany e Campinense continuavam lutando um jogo de sangue. Os dois tinham de ganhar. O Guarany conseguiu fazer um gol no final do segundo tempo. No entanto, tal gol foi anulado por óbvia imprudência profissional do árbitro, alegando que o atacante estava impedido. A equipe de Campina Grande conseguiu fazer um gol aos quarenta e seis do segundo tempo. A torcida foi ao delírio.
No ano de 2009 eles caíram da Série B para a Série C, e pelo menos não cairiam para a Série D. A ameaça estava distante e a felicidade reinava. O time completava 9 pontos, deixando o Fortaleza para trás pelo saldo de gols, que agora eram de -1 para -3 do Fortaleza (que ganhava de 2 a 0). Os jogadores não sabiam de nada sobre o atraso do intervalo do outro jogo.
Uma sucessão de fatos estranhos aconteceu no certame da capital do Ceará então. O CRB ficou sabendo do resultado, graças à vantagem de tempo da confusão dos uniformes no intervalo. Os jogadores ficaram felizes. O Guarany perdia e a vaga do CRB estava garantida para a próxima fase. Os jogadores ficaram relaxados: eles poderiam perder esse jogo.
Confesso que não consigo nem começar a pensar em como vou dizer isso, mas vou dizer de qualquer forma. O Fortaleza, com vantagem numérica, ideológica e, aparentemente, econômica fez dois gols no CRB e ficou na Série C, rebaixando o Campinense.
Tudo isso não aconteceu de forma natural. No tape do certame conseguimos ver algumas imagens duvidosas. Quando ainda estava de 2 a 0 e o jogo de Campina Grande havia acabado, o auxiliar técnico do Fortaleza se aproximou do goleiro do CRB para falar algo. Logo após, o time tomou um gol e Carlinhos Bala (atacante do Fortaleza que errara um pênalti no primeiro tempo) fez um sinal de mais um para os zagueiros do CRB que, por sua vez, estavam tranquilos. Em outro vídeo, podemos ver um jogador da equipe de Maceió falando, supostamente, "deixa fazer". Naturalmente, o Fortaleza fez o quarto gol, salvando-se do rebaixamento da Série C em seguida. Tudo isso aconteceu em 20 minutos de jogo. Com direito até a 5 minutos de acréscimo (uma coisa extraordinária no futebol).
Na verdade, isso tudo foi tão natural quanto o intervalo durar trinta minutos, o gol do Guarany ser anulado em Campina Grande, o goleiro do CRB ser expulso por chutar a bola num gandula, o auxiliar técnico do Fortaleza ir conversar com o volante do CRB que estava agora atuando de goleiro, etc. O que aconteceu no futebol nordestino foi uma calamidade.
Dou boa noite, com o vídeo que saiu hoje na mídia. Os jogadores do Ceará, avisam a Aloísio do CRB e ao juiz que o Campinense ganhou de 1 a 0. Também mencionam um suposto cheque.
Deu tudo errado. Até os crimes cometidos não foram maquinados por mentes de grande pensamento. O sistema fez com que os valores se invertessem, os fortes caíram e os fracos continuam jogando.
Peço perdão se o texto ficou confuso, escrevi muito rápido e com muita raiva. Confesso que não entendo muito sobre futebol, mas o futebol, às vezes, acerta a minha alma.


Vídeo com toda a história, por pessoas mais entendidas do que eu:

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Mito Gum F.C.

Excelentíssimo leitor, difícil seria expor-te detalhadamente tudo. Wellington Pereira Rodrigues, Gum ou Guerreiro Tricolor. Esses são todos nomes de um mesmo garoto. Wellingol, ou Gum, é o nosso herói da rodada e, por que não, das nossas vidas futebolísticas. O zagueiro Gum é um mito, isso nenhuma alma pode negar. Mas o que faz desse cavalheiro um mito?



O América Mineiro sempre esteve por maus bocados desde que o conhecemos por gente. Perto do fim do primeiro turno do brasileirão, o América só tinha uma vitória, sobre o Bahia. Eis que o laterna-mór emerge das cinzas como a AVE FÊNIX e mete 3 a 0 no Fluminense em questão. Como isso aconteceu, caros leitores? O futebol é realmente um jogo de sorte e azar como o xadrez. Gum mostraria todo seu ímpeto em solo mineiro? Sem dúvida amigos. Gum bateu em um nobre americano com os pés. Só que dentro da grande área. O América já fazia 1 a 0 no tricolor quando isso aconteceu. Daí pra frente, você pode imaginar. O que você não pode imaginar foi que Gum não foi amarelado com o lance da penalidade. Após isso, ele tomou um cartão amarelo e depois outro. Vermelhado. Seus companheiros de time, atrofiados pela atitude do colega, acabaram indo para o fundo do poço. Rafael Moura, o He-man, chegou a errar um pênalti. Neneca estava lá para pegar a bolacha.
Tudo bem, o Fluminense começou a vencer depois disso, com seu time de glória, vencendo por 1 a 0, 1 a 0, 1 a 0 e por aí vai. Jogos de causticidade singular, jogos de fazer os olhos tremer de tanta emoção. Subindo, subindo, subindo, Gum renovou seus pontos com a torcida e a crítica especializada.
Eis que surge, no horizonte, o Bahia. A equipe é ultracompetente, por sinal. Criada por ex-jogadores de cada clube brasileiro, o Bahia é um time que vale a pena torcer. Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Botafogo, Vasco, Atlético Mineiro, tem todos os times ali. É como um megazord. É como ver o New Kids On The Block se juntando ao Backstreet Boys para fazer uma música. Essa música existe, procurem no youtube. E esse time, também existe.



Por ironia de todas as partes, o Bahia meteu 3 a 0 no Fluminense. O mesmo Bahia que havia perdido para o América Mineiro no primeiro turno. Sim, o futebol é um jogo de botão. Mas, assim como na birosca, existe o jogador especial nos jogos de botão. A tibôio, como eram chamadas as biroscas gigantes feitas de ferro maciço: este é oGuerreiro Tricolor em questão.
Gum, no jogo com o Bahia, entrou sabendo que ía vencer. Estava diposto a fazer tudo pelo time incluindo, sigam comigo:

GOL CONTRA
COMETER UM PÊNALTI
SER EXPULSO
Se o Gum fosse funcionário público ele seria demitido.
Gum é o exemplo de brasileiro. Desde pequenos, nossos pais nos mostram que se você tem
um sonho, basta segui-lo. Se se esforçar você vai chegar aonde você quer, você vai vencer. Pois
bem, Gum deixa os gramados e vai dar palestras sobre motivação. Assim como Zeca Camargo e
Monteiro Lobato, Gum está entre os melhores exemplos de brasilidade, de caráter brasileiro no
mundo. É um exímio exemplo de como, de vez em quando, os deuses podem rir de você. Deixo
vocês com a trilha sonora do dia, após essa dissertação grandiosa sobre o ídolo: GUM!


domingo, 11 de setembro de 2011

Democracia.

Palmeiras (em casa) 0 x 3 Internacional

Confesso que abri um sorriso ao final do jogo do Internacional e Palmeiras. Não me julguem parcial, não é esse o caso. Dois foram os fatores que motivaram minha alegria.
O primeiro motivo foram os gols do Inter. Estou rendido ao hábito de exaltar os heróis, os atacantes dos times. A perspectiva de a seleção poder contar com Fred, o Ébrio; Neymar, o Eleito; Ronaldinho Segundo e Leandro Damião na partida de quarta-feira contra a Argentina já me traz certo prazer, ou, sendo realista, certa consolação. Meus parabéns, Leandro Damião, hoje você conquistou a artilharia do campeonato e mostrou a humildade e o espírito de equipe de que um jogador selecionado precisa.
Mas, cá entre nós, o personagem mais importante de Dom Quixote é o Sancho Panza. E eu me refiro ao lateral direito Nei. Para fins de exemplificação, cito o segundo gol do Colorado, armado pelo lateral, que venceu a marcação e presenteou o colega artilheiro com a cara do gol. Mas essa foi a jogada mais simples para descrever o Nei – na essência, trata-se de um homem forte, que possui o que um certo pelézinho da nova geração anda precisando: raça. As arrancadas que o rapaz promoveu nesse jogo conseguiram desarticular até mesmo a melhor defesa do campeonato – e não vou falar necessariamente no demérito das defesas em geral do campeonato, o que eu quero é ressaltar o valor da sede de dianteira nos jogadores cuja posição possui essa função estratégica de armar. Num jogo de xadrez, diríamos que uma torre talvez pudesse ser comparada à função e valor de Nei.



O segundo motivo de meu sorriso foi a reação da torcida do Palmeiras. Futebol é a democracia que dá certo no Brasil e um gesto como o dos torcedores paulistas não me faz, senão, emocionado politicamente. De costas para o campo, uma ala dos fiéis palmeirenses protestou contra a diretoria do clube, xingando o habitual, mas fazendo-o com a classe que oblitera os palavrões em função do que eles querem comunicar.




Felipão é um cara ótimo, aliás. Quando penso em Palmeiras, não consigo pensar em técnico melhor: ascendência italiana, cultura cristã, heroísmo disciplinado, senso de coletividade e uma Ordem do Infante D. Henrique, concedida pelo sensato ex-presidente lusitano Jorge Sampaio – em suma, um homem de bem. Crítico como só, dessa vez, ele não puniu a equipe, mas elevou o valor real de seu futebol, que, apesar da derrota, dominou os primeiros minutos dos dois tempos e conseguiu passar alguns sustos nos sulistas. Quanto à torcida, ele recitou sua posição:

“O que vocês esperavam? Jogando em casa e tomando de três, queriam que a torcida aplaudisse e achasse tudo bonito? A torcida até que se comportou corretamente, foi educada. Claro que viu o time perder e não aceitou, e por isso se manifestou. Mas podemos dizer que foram educados”

Educados, os torcedores dirigiram seus insultos, principalmente, ao vice- presidente do clube, Roberto Frizzo, chegando, quando de sua descida ao vestiário, a lançar, muito cortesmente, algumas garrafas no abonado dirigente, que acredita que algo sobrenatural interfere no trabalho do Palmeiras e diz entender as angústias dos ocupantes das arquibancadas.
De fato, pode ser que haja algo de sobrenatural atuando no Palmeiras. Talvez as velas de Tite. Não sei. Mas o ataque do Verdão esteve ali o jogo inteiro e, em determinados momentos, foi possível identificar até mesmo uma postura retranqueira da parte do Internacional, que, de fato, mantinha-se no 4-5-1. Nesse aspecto, mérito da zaga colorada.
E por outro lado, como a melhor zaga do Campeonato dos Campeonatos falhou três vezes? Como um time de um único atacante consegue furar a zaga e ignorar a presença respeitosa e quarentona do goleiro palmeirense vitalício Marcos? E agora, mérito da ofensiva colorada.
Foi um jogo bom, entendem? Menos apegado à lógica, a partida foi narrativa, interessante, diriam alguns que até surpreendente. Eu não diria que é surpreendente, ora, vá lá. Mas, os jogos bons são aqueles que não merecem perdedores e, mesmo assim, muito cruelmente, os tem.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

E por falar em saudade, Ronaldinho, onde anda você?

Avaí 3 x 2 Flamengo
Flamengo 1 x 3 Bahia


Flamengo, o mais querido do Brasil
Como caístes em tamanha desgraça?
Como não viste que vosso fuzil
Está agora falido e só solta fumaça

Ronaldinho, com dois gols sobre o Avaí
Sendo um de corner e um impressionista
Não conseguiu o que sabia de cór: nem Muriqui
Em Minas, conseguiu ou mitou quando foi egoísta

Pois bem, conseguiu a convocação para a seleção
Mas seu time, sem seu maior líder
Conseguiu o desanime do coração na mão
Do torcedor, que grunhiu quando perdeu pro Bahia, o G-4, o mister

Thiago Neves, Deivid, Willians, todo mundo batendo cabeça
No fundo, sabendo que não há glória que esse time mereça
Quando entra em campo a raça dos times morenos
Que no Z-4, possuem sonhos tão gigantes, que uma vitória sobre o Flamengo
Já queima em chama forte, qualquer coração pequeno


quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Às vias, de fato.

Estive anteontem com o Abílio Coutinho, comentarista esportivo da velha guarda belorizontina, um mentor e tanto para o nosso projeto, sujeito excepcional, sinceramente, excepcional. Trocamos algumas palavras sobre as novas contratações do Atlético e, resumindo, ele, muito gentilmente me veio perguntar sobre “aquele projeto que eu e aqueles meninos estávamos fazendo para tentar entender o futebol”. Respondi-lhe que estava indo bem. Muito justamente, ele me retrucou: “então por que infernos eu não vi nada sendo dito sobre os jogos de domingo?”. Rubro, ou tão rubro quanto eu posso ficar, tive de admitir “Abilhosa” (foi assim que eu o conheci, há dois anos atrás) “a culpa é toda minha, a vez era minha e eu me atrasei mesmo”
Portanto, meus caros companheiros de arquibancada, em função da cobrança vinda desse gênio do futebol, eu percebi os problemas decorrentes dos deslizes no comprometimento. Sei o quanto é grave deixá-los esperando e não pretendo me repetir no erro. Sigo minha conversa em um vídeo, gravado com a ajuda de meu companheiro de domínio, Vitor Brauer. Caso tenham paciência, este é um sincero pedido de desculpas:



E eis que foi chegando o fim de semana da rodada de clássicos. Estremeci com a expectativa e tive de escolher, dentre os diversos embates, qual mereceria mais a minha atenção. Às seis horas da tarde eu estava no teatro para acabar com minha dúvida: pulei a parte mais importante do jogo, que é a imprevisibilidade, e dados já lançados, resolvi me valer dos reprises do pay-per-view. O que estava disponível no horário adequado foi o clássico paulista Santos e São Paulo. Jogão. Empate. Clássico – em todos os sentidos.
O que há de importante em um clássico é o fator épico. Nessa hora me rendo: a ciência pouco alcança os valores que regem um jogo de Brasões. Não me atenho, dessa vez, portanto, a uma análise fria da partida. Existe algo de sério no reino do futebol que devo comentar.


O Futebol e a Honra, um tratado.

Falei de fator épico há pouco e não foi uma comparação simplista. Aqui vai uma: o futebol é a epopéia brasileira. Estou sendo, talvez, óbvio, mas preciso disso para alcançar, agora, aquilo de que eu sempre quis falar.
Façamos um traçado leigo e breve do que seja a epopéia: tendo em si um híbrido de poesia e de prosa, esse gênero narra, em versos, uma façanha grandiosa de um povo, que, historicamente, alcançou pontos inalcançáveis até então.
O Pasolini tem uma mania interessante de dividir as coisas na seguinte dicotomia: prosa e poesia. É cinema de prosa e cinema de poesia; futebol de prosa e futebol de poesia... Bem, não é preciso explicar muito o que é que diferencia um futebol de prosa e um de poesia – salta aos olhos essa definição. Só quis me valer dela para destrinchar a teoria. Nisso, vai o primeiro aspecto epopéico da comparação: a literariedade.
Da façanha grandiosa de um povo, que historicamente alcançou pontos inalcançáveis até então.... pôxa. O Brasil é pentacampeão e isso diz tudo.
Mas existe outra coisa que faz essa relação ser tão necessariamente épica: o Brasil necessita de heróis no futebol. É desesperador, porque sempre há uma aposta, uma promessa a fazer a torcida brasileira aguardar ao cais. Foi patética, por exemplo, a veneração e a expectativa depositadas em Kaká no ano passado, em plena Copa.
Cheguei ao ponto motivador de toda essa teoria, senão dessa iniciativa: Neymar da Silva Santos Junior. Falemos de heroísmo. Trata-se de um garoto, desses que, como diria Nelson Rodrigues, pai desse blog, não podem nem ver filme de Brigitte Bardot, mal se responsabilizam pelos próprios atos – por pouco não é o pai que tem que receber o ordenado por ele. Jogador de time único, Neymar carrega o clube no nome, ao lado de um “da Silva”, que comunga com ex-presidente icônico, com o garçom do almoço de hoje e com o dono de uma rede de Megastores – todos tão brasileiros que se percebe no preenchimento de um cabeçalho qualquer.
Há um legado de poucos que, aparentemente, o rapazinho pegou. Todas as suas semelhanças com o chamado Rei fazem a massa realmente crer em seu potencial. Leve, rápido, sagaz, malandro, novo, goleador, promissor. Tantos adjetivos que Galvão Bueno deve ter tido que comprar um novo dicionário para dar conta do recado.

Herói
Mas Neymar, O Eleito chegou em época errada. Há algo de astral no fato de Ronaldo Primeiro ter se aposentado nas proximidades desse tal tempo áureo do jogador santista. Trata-se da morte solitária do último elefante - Deus me perdoe e saiba o quanto eu simpatizo com o Fenômeno o suficiente para me livrar de toda a maldade da comparação - de uma espécie rara. O heroísmo está em decadência e nem mesmo a profecia das profecias, nem mesmo a bravura intrínseca a um povo tem conseguido deter essa fatalidade.


Ronaldo, aposentado e em baixa definição
Faz parte da configuração de que eu tanto falo, faz parte da vida moderna. Pier Paolo Pasolini deve estar se revirando no túmulo - a poesia acabou. O futebol hoje é coeso demais, comunicativo demais, coerente demais e tem toda força pra se defender e se manter assim. Mais do que prosaico, cá entre nós, o futebol atual é dissertativo, é argumentativo. Há técnicas, teorias e fatores por demais e que dão conta de tudo.
E quer um argumento para O Eleito não dar certo? Ele não consegue ficar mais de quinze minutos em pé em um jogo.Outro? Ele mente a maior parte dessas quedas. Mais um? Quando a coisa é além-fronteira ele não dá conta de ser metade do herói que ele se propõe a ser aqui . No escrete brasileiro, Neymar é inexpressivo, decepcionante, quase um Spider Man, de quem se espera a salvação e por quem se sente dó, afinal. Todo mundo vai sempre marcar o garoto, ora, alguns anos de futebol ensinam o resto do mundo a jogar, não?
Há muitos jogadores assustadoramente habilidosos, tanto quanto Neymar, O Eleito. Para não deixar de citar o clássico desse domingo, Lucas, autor do gol do São Paulo é um desses que tem, como o santista, algum resquício da linguagem poética - mas mesmo ele não conseguiu aparecer em um jogo tão marcado e protegido.
Eis as questões. Seria válido esperar a poesia acontecer? É tão bonito assim torcer, afinal? O que vai diferenciar os bons jogadores a partir de agora? Devemos ter fé nos atacantes?


Meus caros, por não saber de respostas, termino hoje em conselho: tolo é quem acredita sem duvidar e fraco é aquele que não sabe se adaptar.

Grato,

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

On The Road e outros causos malditos.

Sempre achei um tanto descompensada essa ideia de que torcida era importante num jogo. Chamem-me ranzinza, mas futebol é ciência, e essa apelação emotiva nunca me caiu tão bem.
Por esse posicionamento, até esse ano, eu acreditava que jogar em casa era, também, uma questão menor. Mas a campanha dos times mineiros me fez entender o óbvio contrário. A falta que faz a praticidade do jogo em casa e, por que não, a defasagem no apoio mais efusivo da torcida, definitivamente colocaram os pobres defensores dos escudos belorizontinos em uma situação patética no que diz respeito à campanha e ao rendimento no Campeonato do Campeonatos, o Brasileirão.

There is no place like home.

Caros amigos, portanto, é com essas considerações iniciais que vamos a mais uma análise crítica de um jogo do nosso querido Esporte Bretão. Cruzeiro versus Ceará.
Não há muito o que se comentar, porque não houve muito jogo. Mas vale começar por um pouco de história.
Conversei com Roberto, da padaria perto aqui de casa, um colosso no palpite. O homem tem tanta sensibilidade, que, em 1997, conseguiu, antes do final do Campeonato Brasileiro, chutar, com precisão, quantos o Edmundo faria para se tornar o artilheiro do ano. É uma coisa de louco. Mas vejam bem, ele errou.
Não foi falta de sensibilidade, deus nos livre. Talvez Roberto simplesmente não estivesse tão interessado na partida, afinal, ele é um botafoguense mineiro e, a dois canais de distância pelo pay-per-view, ele tinha um prato cheio pra se deliciar, vendo o seu alvinegro depenando o alvinegro das capitanias de cá. Mas mesmo assim, surpreende que Roberto tenha errado.
- Dois a um para o cruzeiro. O desempate vai ser no segundo tempo. Deu três e oitenta centavos os pãezinhos e o chocolate.
Eu deveria ter apostado três e oitenta em um empate zero a zero, como me mandava a intuição e eu teria quase ganhado. Foi esse o placar que o jogo mereceu.


A partida começou com o Ceará Sporting Club atacando. Até os dezesseis minutos, o meia Thiago Humberto havia se destacado, chegando a perder um gol pra trave. Não se pode mentir, o Vovô do futebol – como, estranhamente, chamam o time de Fortaleza – fez um jogo respeitável, trabalhando a bola nas duas extremidades do campo e atuando como um time profissional. Mérito do time, sobre o qual não há muito mais o que se comentar por hoje (não vou falar dos jogos posteriores, apesar do meu atraso no comentário).

Ceará Sporting Club, o Vovô, antes da partida de sábado.

E, enfim, o antigo Palestra Itália de Minas Gerais, o Cruzeiro Esporte Clube, será o Judas a ser malhado. Que zaga, hein? O fato de o Ceará Sporting Clube ter jogado como profissional tem duas explicações complementares. A primeira é que se trata, de fato, de um time profissional. A segunda é que o Cruzeiro simplesmente se defendeu tão amadoramente que destacou as qualidades do time com quem disputava, inclusive, posição na tabela naquele jogo.
Pra não ter que falar das espalmadas e da insegurança que Fábio – também goleiro da seleção – gera em campo, vou me ater, brevemente, à maneira como a defesa cruzeirense se mantinha diante dos ataques. Permissivos, os jogadores pareciam respeitar e muito a força física dos cearenses, tomando o devido cuidado para não entrarem numa dividida e se machucarem demais.
De resto, lá vamos nós de novo falar no tal 4-4-2. E esse foi um dos mais mal arranjados. O Cruzeiro tinha um contra-ataque viciado, que, sempre pela direita, vacilava nas finalizações, de tal maneira,que tornava desproporcional o jogo.
Foi feio, caros amantes do futebol. E o Cruzeiro ganhou. Montillo, gol de pênalti, no primeiro tempo. O melhor jogador do Cruzeiro, um argentino, que, se comeu pão de queijo até hoje, provavelmente só foi industrializado.
O Roberto, que fabrica os pães de queijo que vende em sua padaria, errou feio. E errou tristemente: o segundo tempo não só foi vazio em gols, como, também, em inovações, sendo o seu momento mais interessante a expulsão de Joel Santana ao fim da partida, eliminando sua participação, também, no clássico que se segue.

“Será que não posso jogar minha prancheta no chão? Nem falei com o juiz. Antes ele tinha me chamado a atenção e falou ‘o apito é meu’. Eu disse ‘é seu, não estou falando nada contigo, você está apitando bem.'” Joel Santana, declarando-se sobre a expulsão.

É a falta de um lar alterando os nervos e a ousadia do elitista futebol celeste de Minas Gerais.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Hulk Futebol Arte

Para todos aqueles que não conhecem ainda o futebol arte do mais novo atacante convocado para a seleção brasileira.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Dois jogos, talvez

Atlético Mineiro x Corinthians
Ipatinga - Minas Gerais

Capítulo Primeiro - A revolta de Cuca



É desnecessário dizer que todos estávamos com medo do novo técnico atleticano. Cuca, ex-treinador do Cruzeiro Celeste Esporte Clube, trouxe mudanças inovadoras no sentido de mudança em si: Richarlyson é o novo capitão e se locomove ao lado esquerdo do campo, próximo de seu mais novo companheiro, Bernard, o Urso (um gênio indomável).
Fato é, como dizem amigos da Faculdade de Letras, que Atlético Mineiro e Cuca dominaram o jogo no primeiro tempo. Bernard, o Urso, corre feito um queniano e a lateral direita do Corinthians foi aniquilada de forma tão "característica" que Richarlyson exibia sorrisos pelo campo para jovens da cidade de Ipatinga. O time alvinegro belorizontino fez dois gols em menos de 19 minutos.
O primeiro gol foi como se retirado (novamente!) de um quadro do pintor Monet: a bola cruzada pelo Urso atinge a cabeça de Réver e, um segundo depois, Dudu Cearense recebe uma bolada no rosto e é gol. Ninguém acreditou. Olharam para o bandeirinha, olharam-se uns para os outros. O gol era válido. O segundo foi obra de Jorge Henrique, metido a atacante dos paulistas, ajudou seu escrete cometendo um pênalti ao segurar um zagueiro do time oposto. Guilherme chutou no canto e o goleiro foi para o outro.
O Atlético se ergueu das cinzas do Z4 e o sentimento foi maravilhoso quando o Ipatingão todo gritou o nome de Richarlyson. Um nome grande demais, causando um erro de métrica que não iremos mencionar aqui.

O jogador Richarlyson, sorrindo.

2 a 0 no primeiro tempo. O Corinthians não teve nem tempo de anotar a placa da carreta que o atropelou. Cuca reergueu o Atlético Mineiro de forma inacreditável, incalculável e inenarrável: glória.

Capítulo Segundo - Tite's obliteration


Quem poderia esperar a reação do técnico Tite? Quem? Eu não sei. O técnico corintiano é conhecido por ser "retranqueira" e por segurar empates por todo o universo do planeta. Ele não sabia que era impossível então ele foi lá e fez, caro leitor. Pois bem, Tite, no vestiário, acendeu uma vela, virou duas cachaças da bela Ipatinga de todos os amores, voltou com fogo no cu e substituiu um volante pelo amigo da galera, Émerson Sheik. Eles precisavam de ganhar porque o Flamengo está muito próximo da liderança. E se o Flamengo for campeão de novo, puta merda, ninguém vai aguentar. Voltando, não sei se vocês se lembram, mas Émerson Sheik se naturalizou qatariano para jogar na seleção do Qatar. Não sei se vocês se lembram, mas ele foi o jogador que foi demitido do Fluminense por entonar em notas maiores e dançar um funk do time rubro-negro Flamengo de Regatas, rival do Flu. Eis que, Émerson Sheik foi o nome da partida por tudo isso.
A mudança de Tite desestruturou o raciocínio de Cuca de forma tão abismal que este ficou meio louco e tirou um atacante pra colocar mais um volante e, não vendo resultado, tirou o outro volante e colocou outro atacante. Dessa forma, saiu o atacante artilheiro Magno Alves e entra o novato fajuto Jonatas Obina, que mal sabe chutar um gato de rua.
O Corinthians fez o primeiro gol aos quatro minutos do segundo tempo. Em jogada parecida com o primeiro gol atleticano, passando pelo pensamento de vários jogadores sem habilidade. O Sheik estava lá e numa cabeçada bizonha concretizou. Logo após, apanhou a pelota e trouxe de volta ao meio do campo com a velocidade de um leopardo. Após quatro minutos, naturalmente, o Atlético cometeu um pênalti: brasileiros jogam do mesmo jeito, erram do mesmo jeito. O zagueiro Réver, que tinha meio gol, foi expulso. Alex, ex-Russo, chutou no canto e correu pro abraço. Só um time jogou o segundo tempo. Cuca via seu sonho ser destruído: "2 a 2. Ainda posso segurar o empate" pensou. Nesse momento tirou o atacante para colocar o volante. O time paulista atacou mais ainda, colocando Liédson na cara do gol para que ele concretizasse. "3 a 2, tenho de buscar o empate" pensou Cuca, mas a cova já estava funda demais. O desespero do time atleticano fez com que cometesse mais um pênalti. Alex novamente foi chamado ao serviço. Dessa vez errou pois chutou do outro lado. O "Livro de Regras de Como Cobrar Uma Penalidade Máxima" afirma que você sempre deve repetir o lado. Mas nesse ponto, 4 a 2 já era abusar demais da sorte.

Tite acende uma vela antes do segundo tempo.

O jogo terminou em 3 a 2. Corinthians Regatas Esporte Clube obliterou o Clube Atlético Mineiro. Anos e anos de superação paulista sobre Minas Gerais resultam, agora, em manchas em cada cidade mineira com estádio. A construção do Mineirão faz com que o Atlético faça uma turnê pelo estado com seus espetáculos. No final do jogo, o narrador esportivo ouvia a torcida cantando o nome de Alex, do time corintiano. "Ipatinguense filhodaputa" gritaram do meu lado.

Epílogo - "A gente tava muito puto"

Em entrevista, Leandro Castán, zagueiro do Corinthians, disse:
"Porra, a gente tava muito puto no vestiário. A gente não pode ficar perdendo ponto pra quem tá lá embaixo. Com todo respeito ao Atlético, é claro."
Pelo menos, nós ainda temos o Skank.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Tricolor.

Grêmio 2 x 1 Fluminense

1º Os Bons Drink.


É fato que grande parte do jornalismo do Brasil é muitíssimo mesquinha. Pra falar do jornalismo esportivo, vale ainda mais a pena ressaltar: existe uma gama enorme de paparazzi, de policiais ideológicos da boa conduta que nunca se pronunciaram acerca do esquema tático escolhido por um determinado técnico, mas que estão bem lá, preocupadíssimos em constatar se esse ou aquele jogador estão fazendo isso ou aquilo fora dos campos, em uma boate ou num quarto de motel. Já ouvi de um taxista, desses que lançam as frases feitas que se ouve por aí (convenhamos, é deles que surgem os versos que, posteriormente, viram lugar comum. Sempre foi assim), algo como que, se a fiscalização política fosse, no Brasil, igual àquela que se faz com os jogadores de futebol e celebridades, talvez os escândalos de corrupção fossem um pouco menores.
Pois bem, falo isso pra falar do Fred e seus Bons Drink. Às análises: houve muita conversa, muito barulho, coletiva de imprensa e uma situação desconfortável que, se por um lado envolvia a revolta dos torcedores quanto ao desempenho de seu time, por outro, não passou de pura xeretagem e especulação extra-campo. Poderiam ter sido 70 drinks e uma Luisa Marilac, por deus. Desde que ele jogasse bem e não dirigisse depois (o que estaria no departamento da justiça federal e não da torcida fluminense), a bebida, a conta ou a companhia do He-Man não importariam.


2º Fluminense

E, com todas as coisas, Fred ficou. E pra falar de coisa séria, convenhamos, ele é um bom jogador. Nada espetacular, até porque – com o perdão pelo meu humor ranzinza e meio pseudo-conservador – de espetáculo o futebol brasileiro está carente. Mas ele está lá; é um atacante, capitão do time e age e coloca o time em função do ataque, o que foge à configuração geral do futebol mundial e, de certa forma, condiz com a postura que, afinal, Abel Braga assumiu nesse jogo: desvairado, o técnico chegou a botar quatro atacantes ao fim da partida, no desespero por uma reação.
Fred, inclusive, foi o responsável pelo gol do tricolor de Laranjeiras. Cabe a descrição: aos vinte e cinco minutos, em um cruzamento muito responsável do lateral Carlinhos, Fred cabeceia, concedendo otimismo ao Fluminense.
O “otimismo” dito acima pode parecer exagerado. Mas foi um ornamento de linguagem com o intuito de me permitir a próxima observação: o Grêmio começou o jogo atacando mais. Havia certo risco, talvez conseqüência dessa bobagem que é jogar em casa. No entanto, os ataques do Fluminense eram um pouco mais certeiros, quase se aproximando do que, um dia, poder-se-ia chamar futebol bonito. Aos vinte e oito minutos, outro cruzamento quase presenteou Fred com a total redenção frente à patrulha ideológica da boa campanha, composta, obviamente, pela nobríssima mídia esportiva e por torcedores apaixonados e com antecedentes criminais.
Assim foi se firmando o time de Abel Braga: nada extraordinário, mas muito pontual em suas arrancadas, dominando bastante o jogo e contando com alguma raça (não se pode falar em raça completa, porque isso implicaria amor ao time e isso é coisa para os mortais, que ocupam os entornos elevados do estádio e, quase nunca, o centro gramado) de jogadores, como os laterais Carlinhos e Marquinhos, além do atacante Rafael Sobis, que participaram de jogadas um tanto assustadoras para os torcedores gremistas, que, afinal, se viam tendo que contar com as mãos macias do goleiro – convocado, inclusive – Victor.


Grêmio
Até o fim do primeiro tempo, 68% do jogo estava nos pés do Fluminense. Isso, ao contrário do raciocínio óbvio, não indica quantidade. A quantidade era característica do Grêmio; ao seu rival, cabia o mérito da qualidade.
Por um lado, o tricolor carioca esboçava algo de um futebol ofensivo, em um sentido positivo, e autoconfiante, o que, por falta de excelência, às vezes, culminava em grandes besteiras, como o cruzamento/chute a gol de Fred, ou, da mesma autoria, a falta mal batida e paralela à cotovelada de Valência em Adilson, meio campo gremista. O resto desse futebol, composto por cruzamentos relativamente bem ensaiados e por posse de bola em escanteios e laterais, justificou os tais 68%.
Por outro lado, o Grêmio lutava desesperadamente, mostrando um futebol arraigado nos esquemas táticos e retranqueiros, tão reinantes na atualidade. Mas o time tinha os seus motivos para essa postura medrosa e quase desesperada. Vamos a eles.
O primeiro motivo, motivo número zero, era o período de adaptação de Celso Roth. Certa vez, em entrevista, Renato Portaluppi, ex jogador do Grêmio, também conhecido xenofobicamente por Renato Gaúcho (ora, é por demais apelativo ficar chamando o sujeito de Gaúcho, com maiúscula e tudo mais, pelo simples fato de ele ser gaúcho. Ronaldinho foi um exemplo que conseguiu se desvencilhar desse sobrenome. Gisele Bündchen também. Prefiro respeitar o Renato.), deu um exemplo muito inteligente: imaginemos que Zico fosse treinar o Flamengo e fizesse uma campanha medíocre. Seria terrível e, por isso, um técnico deve estar preparado para treinar o time do coração. Isso foi, nos idos de 2010, uma justificativa para a demora, por parte do ex-atacante gremista, em assumir a posição de técnico do tão amado tricolor sulista. Hoje, pode ser entendido como uma exemplificação premonitiva do desempenho de Renato. Em Junho deste ano, mesmo com o carinho da torcida, Renato Portaluppi saiu do time que continua sendo seu de coração.


E, sob esse clima nem tão receptivo, chegou Roth, tendo que salvar o time da medíocre campanha e ainda aturar uma torcida que, manhosa, ainda queria acreditar no potencial do ex-técnico e ex-artilheiro. E, obviamente, Roth teria que provar serviço.
O segundo motivo, que é o número um, é, aproveitando a brincadeira, o goleiro do Grêmio. Sobre ele, Victor, o que se pode dizer é que aí está mais um perigo para a seleção brasileira. Vários foram os momentos em que se podia acreditar que o Fluminense iria empatar ou virar, pois Victor permitia acreditar nisso.
O ultimo motivo eram as condições de jogo. O Grêmio estava a um triz da zona de rebaixamento, jogando em casa e na chuva. O medo era tanto, que só o que se podia fazer era marcar, segurar o jogo. Durante os quinze primeiros minutos, viu-se que o tricolor gaúcho atacou mais que o Fluminense, mas atacou pior.
Um ou outro jogador se destacou. Lúcio, lateral esquerdo, mostrou boa vontade no jogo, sendo um dos responsáveis pela concretização de algumas das verdadeiras finalizações do Grêmio, inclusive a do primeiro gol. Fábio Rochemback tentava alguma coisa, mas nada que tenha se destacado e o bom e velho Gilberto Silva não apareceu, nem sequer pra uma cabeceada.André Lima exerceu um desses papéis típicos da chiliquenta e, justiça seja feita, ele poderia ter ganhado um pênalti. Brandão, um dos piores investimentos do Cruzeiro, não mostrou melhor produto no time porto-alegrense. No mais, o primeiro gol do Grêmio, aos trinta minutos do primeiro tempo, foi um tanto acidental, tendo o Marquinhos chutado e ganhado a contribuição de Márcio Rosário no desvio. O segundo gol, esse sim, foi bonito e fez o mesmo Marquinhos merecer o um pouco exagerado mérito de destaque que ele recebera: ainda no primeiro tempo, de falta, ele virou o jogo.

4º O futebol

Pareço desanimado ao falar do time que ganhou, mas me explico. Tratou-se de um jogo medíocre. Não se pode esperar muita diferença. É a 16ª rodada do campeonato, um jogo pouco decisivo para a configuração das nossas tabelas pessoais. No entanto, isso revela o funcionamento do futebol atual.
Ambos os times entraram em campo sob o legitimado e tão em voga esquema 4-4-2. E o que isso significa? Dois atacantes. Isso explica tudo, ora. A parabenização a Abel Braga reside em sua postura desatinada ao fim do jogo: ele quis atacar e tinha bons atacantes. Nada mais justo, nada mais bonito. Mas justiça e beleza não são coisas que combinam com o futebol. E, nisso, vou me repetir: o Grêmio jogou mais, o Fluminense jogou melhor e, como disse o próprio Fred, celebridade – no sentido mais triste da palavra – dos últimos tempos, talvez o time devesse jogar feio para ganhar na próxima. É assim que funciona, na base da garantia, e é isso que tem tornado o futebol um jogo pasteurizado na grande maioria das vezes.
E acaba mais um episódio vazio da jornada futebolística brasileira.

sábado, 13 de agosto de 2011

Previously on Futebol Brasileiro




Quem acompanha futebol não sabe o que está acontecendo com Adílson Batista. Quem só entra em sites de futebol enquanto o vídeo da semana do PC Siqueira está carregando sabe menos ainda. Realmente, complicado explicar. Depois de umas temporadas bem sucedidas no Cruzeiro, Adílson Batista teve a faca e o queijo na mão pra se tornar um dos mais vitoriosos técnicos de sua geração. Em sei lá, oito meses, ele teve o Corinthias e o Santos à sua disposição. Ambos os escretes facilmente identificados entre os melhores da nação. Diferente de Adílson Batista.

Todos aqueles que não leem nosso blog concordam que ele é um péssimo treinador. Não vou entrar no mérito da questão. Apenas afirmo que Adílson Batista não faz bem ao futebol brasileiro. O futebol brasileiro não faz bem a Adílson Batista. Recentemente, segundo me informaram, ele assumiu sua viuvez pelo Cruzeiro. Disse que não devia ter saído. Verdade. Saiu porque quis. Não estava mal. Foi só pressão dos incoerentes torcedores celestes. Aí deu no que deu. Seu saldo no Corinthians foi pra lá de negativo. 17 partidas, sete vitórias, quatro empates e seis derrotas. Foi, também, no Corinthians que ele desenvolveu sua rara arte de perder pontos para escretes que disputam uma singela vaga na Série B com o máximo de afinco. Foi demitido após uma derrota para o Patético Goianiense por 4 a 3, em pleno Pacaembu. Praticamente um trabalho de Hércules. Aí veio o Santos! Neymar Santos Jr! PH Ganso! Elano! Zé Love! Baldes e mais baldes de futebol arte. De que adiantou? Fez uma campanha medíocre. 11 partidas com cinco vitórias, cinco empates e apenas uma derrota. E derrota pra quem? Corinthians. Pelas barbas do profeta, né, Profeta? Foi chutado de lá antes que arruinasse o ótimo ano dos futuros-ex-meninos-da-vila. Então apareceu o Atlético Paranaense, sua equipe de coração. Será que daria certo? Deu! Perfeita combinação! Harmonia incrível! Nunca antes um escrete tão incompetente foi treinado por um técnico tão ruim. Mas isso não vende. Agride os bons costumes e ataca a família tradicional brasileira.


Hoje em dia não espero mais nada do simpático e campeão Adílson Batista. Campeão como jogador, claro! Não que eu desrespeite sua carreira como coach. Não são todos que na mesma estante ostentam um bicampeonato mineiro e um campeonato potiguar. Mas do jeito que as coisas tão indo ele vai se tornar mestre em outra rara arte: ser odiado pelos quatro maiores partidos do estado de São Paulo. Afiliados ao S.C. Corinthias Paulista e ao Santos Futebol Clube já aderiram à causa. Os do São Paulo Futebol Clube já estão se simpatizando. Isso é um aviso aos fiéis adeptos da Sociedade Esportiva Palmeiras? Não estou aguentando de ansiedade para o próximo e muito especial epísódio dessa novela que é a vida de Adílson Dias Batista.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Os vaidosos devem jogar, os fracos devem cair (Alemanha 3 x 2 Brasil)

Inicialmente, gostaria de agradecer aos funcionários do vertvonline.org (ANUNCIE AQUI!!!) por todos esses momentos de glória. Após isso, gostaria de dizer a todos que acreditam que "a televisão vai acabar com o futebol" o seguinte: por favor, parem de falar essas frases sem antes pensar se elas fazem sentido. Obrigado.
Vamos ao jogo, para todos que não assistiram, vejam pelo menos os melhores momentos abaixo. Se não quiserem, só leiam o texto.

Vale a pena ler o comentário de Mano Menezes após a partida: "É a primeira seleção que jogou melhor que nós os 90 minutos." NÃO DIGA, MANOILA! A seleção que ganhou todos os jogos do seu grupo na Eurocopa jogou melhor que o Brasil? A humilde frase do treinador só delivera a pior das profecias: o escrete tenta demonstrar confiança. No entanto, o defeito da equipe não é a falta de humildade ou a demonstração de falta confiança. Nosso caro narrador contemporâneo, Galvão Bueno, diz que a seleção tem de aprender com os erros. Palavras tão sábias quanto a de um outro que disse que o bebê de dois anos, do sul da Indonésia, deveria parar de fumar dois maços de cigarro por dia. No entanto, uma seleção que não ouve nem o óbvio deve ser levada a sério? A resposta pode ser não. Mas algumas considerações são necessárias.
O jogo com a Alemanha foi difícil. Os alemães jogaram como alemães. Eles são máquinas, se aproveitaram de todos os erros brasileiros como se a vida da mãe deles estivesse em jogo. Como no movimento expressionista, os cortes foram bruscos e a atuação geral foi positiva. Nada mais a dizer sobre a seleção alemã: eles não são humanos. Eles não erram. Nós só conseguimos fazer dois gols em cima de nossos próprios erros.
Digo: eu não acredito que a seleção deva aprender com os erros. Os fracos devem ser retirados da vala. Talvez, o técnico deve aprender com os erros. Qualquer rinoceronte que tenha assistido o jogo trocaria toda a nossa zona defensiva. Lúcio cometeu o pênalti, tá com o pé na cova já, pode ir embora. Existem outros zagueiros nessa multidão de 200 milhões de habitantes. A triangulação perfeita do segundo gol alemão, que deixou o meia-atacante Götze na cara do gol, só funcionou porque nosso amigo Daniel Alves não o marcou direito quando o outro recebeu a bola. A criança simplesmente viu a cena do filme, parado como um hidrante. O terceiro gol eu nem vou falar, André Santos já tinha levado um nas costas do Paraguai. O futebol, em outras eras, teria aniquilado o pobre jogador. Na contemporaneidade, seguindo as ideias de um técnico metódico e retrógrado, a gente deixa ele continuar a jogar para, de alguma forma, enobrecer seu coração. Isso não existe.
O escrete teve de virar a casaca para fazer os nossos dois gols. Parece que foi trabalho de macumba. Robinho, o vaidoso (como nomeia Túlio Magno), aprendeu com Schweinsteiger a bater o pênalti e concretizou. Robinho é um dos maiores "anti-gol" que eu já vi em toda a minha vida, diga-se de passagem. Até um "anti-gol" consegue chutar uma bola quando ela está parada, pelo visto. Talvez, então, é só colocar esses caras que sabem lidar com a batata quente pra bater a penalidade máxima. Explicarei melhor: Neymar, Robinho e Pato. Esses caras tem de lidar com desequilíbrios que nós, reles mortais, nunca imaginaremos. Eles não estão dando a mínima. Vocês me entendem, não é? A pressão sobre André Santos, Thiago Silva, Elano e Fred no fatídico jogo contra o Paraguai foi demais, porque eles são seres humanos normais. Por isso erraram os pênaltis. "Só colocar esses nego sem-noção pra bater" grita um amigo meu. Robinho, Neymar e Pato vivem de prerrogativas que só Pelé pode imaginar. Esses são os batedores de pênalti, semi-deuses que foram criados perversos naturais. Um estupra uma mulher na Inglaterra, o outro já engravidou algumas, o terceiro já se separou de uma atriz global e vive num palácio em Milão pegando a filha do primeiro ministro (tudo isso com 21 anos). Esse é o rosto do nosso futebol nos dias de hoje. São esses os humanos que fazem gols.
Neymar Santos Júnior, ele mesmo, fez o segundo depois de uma jogada que parecia ser tirada de um quadro daquele impressionista francês (que me foge o nome no momento): Ganso toca forte demais para Fred que, por sua vez, não consegue dominar a bola e ela escapole para Neymar que, já sem paciência, chuta no canto da balisa e nem chega a comemorar, pois a partida já estava perdida. Esse foi o resumo do jogo. Os que, de fato, jogaram bem foram Ramires e Fernandinho, que mereciam o Oscar, se fossem atores. Dos bons não se fala.
Finalizando, talvez devêssemos aprender com os nossos erros. As pedras são jogadas, uma a uma, em Robinho, Neymar e Pato. Os três mosqueteiros da vaidade, chegam a olhar para as câmeras em alguns momentos da partida. Eles possuem força de espírito mesmo quando erram gols (Pato errou um gol de cobridinha, ele visualizou o gol de placa, teve de tentar, um erro humano). No entanto, acredito que esses são os jogadores do dia de hoje. Vale lembrar que o Brasil tem seu apogeu com anti-heróis como Pelé, Garrincha, Adriano, Ronaldo, Romário etc. Que engravidam, bebem, cheiram, gastam dinheiro etc. Pelé teve Jairzinho como Neymar tem Ramires. Por trás de um homem ruim há sempre um homem muito bom. Não é hora de mudar. Os vaidosos devem jogar, os fracos devem cair. Sem segunda chance para quem não tem por onde.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

“uma caixinha de surpresas (?)”


Antes de começar uma discussão e, consequentemente, proferir qualquer clichê, vamos confessar: não vale a pena. Afinal, é futebol e, já me valendo do clichê, futebol não se discute. Isso todo mundo sabe, é proferido aos quatro cantos do mundo e estão aí as torcidas a nos provar: não há discussão para futebol, assim como não cabe discutir deus, ciência, religião, sexo, salário alheio, arte, política, ou, melhor dizendo, qualquer discussão sobre esses tópicos acaba se tornando, na verdade, um discussão sobre a posição ou preferência política, a posição ou preferência artística, a posição profissional ou preferência salarial, a posição ou preferência sexual, a posição ou preferência religiosa...
O absurdo que é discutir futebol, assim como qualquer uma das coisas citadas, é que, ao fim das contas, ele é, também, uma questão de posição ou preferência – entendam-me como for conveniente. Que fique bem claro, então: ninguém aqui vai discutir sobre futebol. Não, a idéia é outra. Nós vamos estudar o futebol, nós vamos participar do futebol, porque, meus caros amigos, futebol é um jogo e, nessa condição, ele deve ser analisado com frieza, intenção e pretensão. Por isso, por favor, não me venham discutir futebol, assim como não se discute tênis, banco imobiliário, xadrez, ou boliche.
Deixe-me ser bem sucinto, no que diz respeito à dinâmica desse espaço: a cada dia de jogo (vamos colocar dessa forma, porque, além de mais corrente, inclui jogos que não são do campeonato brasileiro e, portanto, não se organizam sob a mesma idéia de rodada) nós, sérios espectadores, analíticos como somos, vamos eleger, cada um, uma peleja diferente.
E a porca vai torcer o rabo: empunhados com um conhecimento amplo, sabedoria técnica e o bom senso que só se encontra aqui no Brasil, nós iremos postar e comentar, buscando sempre um objetivo único: fazer a aposta certa quando os gringos chegarem, em 2014.

Desde já agradecidos,

O novo escrete.