quarta-feira, 24 de agosto de 2011

On The Road e outros causos malditos.

Sempre achei um tanto descompensada essa ideia de que torcida era importante num jogo. Chamem-me ranzinza, mas futebol é ciência, e essa apelação emotiva nunca me caiu tão bem.
Por esse posicionamento, até esse ano, eu acreditava que jogar em casa era, também, uma questão menor. Mas a campanha dos times mineiros me fez entender o óbvio contrário. A falta que faz a praticidade do jogo em casa e, por que não, a defasagem no apoio mais efusivo da torcida, definitivamente colocaram os pobres defensores dos escudos belorizontinos em uma situação patética no que diz respeito à campanha e ao rendimento no Campeonato do Campeonatos, o Brasileirão.

There is no place like home.

Caros amigos, portanto, é com essas considerações iniciais que vamos a mais uma análise crítica de um jogo do nosso querido Esporte Bretão. Cruzeiro versus Ceará.
Não há muito o que se comentar, porque não houve muito jogo. Mas vale começar por um pouco de história.
Conversei com Roberto, da padaria perto aqui de casa, um colosso no palpite. O homem tem tanta sensibilidade, que, em 1997, conseguiu, antes do final do Campeonato Brasileiro, chutar, com precisão, quantos o Edmundo faria para se tornar o artilheiro do ano. É uma coisa de louco. Mas vejam bem, ele errou.
Não foi falta de sensibilidade, deus nos livre. Talvez Roberto simplesmente não estivesse tão interessado na partida, afinal, ele é um botafoguense mineiro e, a dois canais de distância pelo pay-per-view, ele tinha um prato cheio pra se deliciar, vendo o seu alvinegro depenando o alvinegro das capitanias de cá. Mas mesmo assim, surpreende que Roberto tenha errado.
- Dois a um para o cruzeiro. O desempate vai ser no segundo tempo. Deu três e oitenta centavos os pãezinhos e o chocolate.
Eu deveria ter apostado três e oitenta em um empate zero a zero, como me mandava a intuição e eu teria quase ganhado. Foi esse o placar que o jogo mereceu.


A partida começou com o Ceará Sporting Club atacando. Até os dezesseis minutos, o meia Thiago Humberto havia se destacado, chegando a perder um gol pra trave. Não se pode mentir, o Vovô do futebol – como, estranhamente, chamam o time de Fortaleza – fez um jogo respeitável, trabalhando a bola nas duas extremidades do campo e atuando como um time profissional. Mérito do time, sobre o qual não há muito mais o que se comentar por hoje (não vou falar dos jogos posteriores, apesar do meu atraso no comentário).

Ceará Sporting Club, o Vovô, antes da partida de sábado.

E, enfim, o antigo Palestra Itália de Minas Gerais, o Cruzeiro Esporte Clube, será o Judas a ser malhado. Que zaga, hein? O fato de o Ceará Sporting Clube ter jogado como profissional tem duas explicações complementares. A primeira é que se trata, de fato, de um time profissional. A segunda é que o Cruzeiro simplesmente se defendeu tão amadoramente que destacou as qualidades do time com quem disputava, inclusive, posição na tabela naquele jogo.
Pra não ter que falar das espalmadas e da insegurança que Fábio – também goleiro da seleção – gera em campo, vou me ater, brevemente, à maneira como a defesa cruzeirense se mantinha diante dos ataques. Permissivos, os jogadores pareciam respeitar e muito a força física dos cearenses, tomando o devido cuidado para não entrarem numa dividida e se machucarem demais.
De resto, lá vamos nós de novo falar no tal 4-4-2. E esse foi um dos mais mal arranjados. O Cruzeiro tinha um contra-ataque viciado, que, sempre pela direita, vacilava nas finalizações, de tal maneira,que tornava desproporcional o jogo.
Foi feio, caros amantes do futebol. E o Cruzeiro ganhou. Montillo, gol de pênalti, no primeiro tempo. O melhor jogador do Cruzeiro, um argentino, que, se comeu pão de queijo até hoje, provavelmente só foi industrializado.
O Roberto, que fabrica os pães de queijo que vende em sua padaria, errou feio. E errou tristemente: o segundo tempo não só foi vazio em gols, como, também, em inovações, sendo o seu momento mais interessante a expulsão de Joel Santana ao fim da partida, eliminando sua participação, também, no clássico que se segue.

“Será que não posso jogar minha prancheta no chão? Nem falei com o juiz. Antes ele tinha me chamado a atenção e falou ‘o apito é meu’. Eu disse ‘é seu, não estou falando nada contigo, você está apitando bem.'” Joel Santana, declarando-se sobre a expulsão.

É a falta de um lar alterando os nervos e a ousadia do elitista futebol celeste de Minas Gerais.