Inicialmente, gostaria de agradecer aos funcionários do vertvonline.org (ANUNCIE AQUI!!!) por todos esses momentos de glória. Após isso, gostaria de dizer a todos que acreditam que "a televisão vai acabar com o futebol" o seguinte: por favor, parem de falar essas frases sem antes pensar se elas fazem sentido. Obrigado. Vamos ao jogo, para todos que não assistiram, vejam pelo menos os melhores momentos abaixo. Se não quiserem, só leiam o texto.
Vale a pena ler o comentário de Mano Menezes após a partida: "É a primeira seleção que jogou melhor que nós os 90 minutos." NÃO DIGA, MANOILA! A seleção que ganhou todos os jogos do seu grupo na Eurocopa jogou melhor que o Brasil? A humilde frase do treinador só delivera a pior das profecias: o escrete tenta demonstrar confiança. No entanto, o defeito da equipe não é a falta de humildade ou a demonstração de falta confiança. Nosso caro narrador contemporâneo, Galvão Bueno, diz que a seleção tem de aprender com os erros. Palavras tão sábias quanto a de um outro que disse que o bebê de dois anos, do sul da Indonésia, deveria parar de fumar dois maços de cigarro por dia. No entanto, uma seleção que não ouve nem o óbvio deve ser levada a sério? A resposta pode ser não. Mas algumas considerações são necessárias.
O jogo com a Alemanha foi difícil. Os alemães jogaram como alemães. Eles são máquinas, se aproveitaram de todos os erros brasileiros como se a vida da mãe deles estivesse em jogo. Como no movimento expressionista, os cortes foram bruscos e a atuação geral foi positiva. Nada mais a dizer sobre a seleção alemã: eles não são humanos. Eles não erram. Nós só conseguimos fazer dois gols em cima de nossos próprios erros.
Digo: eu não acredito que a seleção deva aprender com os erros. Os fracos devem ser retirados da vala. Talvez, o técnico deve aprender com os erros. Qualquer rinoceronte que tenha assistido o jogo trocaria toda a nossa zona defensiva. Lúcio cometeu o pênalti, tá com o pé na cova já, pode ir embora. Existem outros zagueiros nessa multidão de 200 milhões de habitantes. A triangulação perfeita do segundo gol alemão, que deixou o meia-atacante Götze na cara do gol, só funcionou porque nosso amigo Daniel Alves não o marcou direito quando o outro recebeu a bola. A criança simplesmente viu a cena do filme, parado como um hidrante. O terceiro gol eu nem vou falar, André Santos já tinha levado um nas costas do Paraguai. O futebol, em outras eras, teria aniquilado o pobre jogador. Na contemporaneidade, seguindo as ideias de um técnico metódico e retrógrado, a gente deixa ele continuar a jogar para, de alguma forma, enobrecer seu coração. Isso não existe.
O escrete teve de virar a casaca para fazer os nossos dois gols. Parece que foi trabalho de macumba. Robinho, o vaidoso (como nomeia Túlio Magno), aprendeu com Schweinsteiger a bater o pênalti e concretizou. Robinho é um dos maiores "anti-gol" que eu já vi em toda a minha vida, diga-se de passagem. Até um "anti-gol" consegue chutar uma bola quando ela está parada, pelo visto. Talvez, então, é só colocar esses caras que sabem lidar com a batata quente pra bater a penalidade máxima. Explicarei melhor: Neymar, Robinho e Pato. Esses caras tem de lidar com desequilíbrios que nós, reles mortais, nunca imaginaremos. Eles não estão dando a mínima. Vocês me entendem, não é? A pressão sobre André Santos, Thiago Silva, Elano e Fred no fatídico jogo contra o Paraguai foi demais, porque eles são seres humanos normais. Por isso erraram os pênaltis. "Só colocar esses nego sem-noção pra bater" grita um amigo meu. Robinho, Neymar e Pato vivem de prerrogativas que só Pelé pode imaginar. Esses são os batedores de pênalti, semi-deuses que foram criados perversos naturais. Um estupra uma mulher na Inglaterra, o outro já engravidou algumas, o terceiro já se separou de uma atriz global e vive num palácio em Milão pegando a filha do primeiro ministro (tudo isso com 21 anos). Esse é o rosto do nosso futebol nos dias de hoje. São esses os humanos que fazem gols.
Neymar Santos Júnior, ele mesmo, fez o segundo depois de uma jogada que parecia ser tirada de um quadro daquele impressionista francês (que me foge o nome no momento): Ganso toca forte demais para Fred que, por sua vez, não consegue dominar a bola e ela escapole para Neymar que, já sem paciência, chuta no canto da balisa e nem chega a comemorar, pois a partida já estava perdida. Esse foi o resumo do jogo. Os que, de fato, jogaram bem foram Ramires e Fernandinho, que mereciam o Oscar, se fossem atores. Dos bons não se fala.
Finalizando, talvez devêssemos aprender com os nossos erros. As pedras são jogadas, uma a uma, em Robinho, Neymar e Pato. Os três mosqueteiros da vaidade, chegam a olhar para as câmeras em alguns momentos da partida. Eles possuem força de espírito mesmo quando erram gols (Pato errou um gol de cobridinha, ele visualizou o gol de placa, teve de tentar, um erro humano). No entanto, acredito que esses são os jogadores do dia de hoje. Vale lembrar que o Brasil tem seu apogeu com anti-heróis como Pelé, Garrincha, Adriano, Ronaldo, Romário etc. Que engravidam, bebem, cheiram, gastam dinheiro etc. Pelé teve Jairzinho como Neymar tem Ramires. Por trás de um homem ruim há sempre um homem muito bom. Não é hora de mudar. Os vaidosos devem jogar, os fracos devem cair. Sem segunda chance para quem não tem por onde.