Fortaleza 4 x 0 CRB
Deus, o que foi que aconteceu no fim de semana? Nesse final de semana aconteceu uma desgraça, uma tragédia, uma sucessão de fatos que originariam um livro do Mario Puzo. Nesse final de semana aconteceu a última rodada da primeira fase da Série C. Vou tentar explicar o início rapidamente: a tabela acima é um dos grupos do campeonato, os dois primeiros times do grupo irão para o mata-mata, e o quinto lugar é rebaixado para a Série D. Simples assim, na última rodada estavam em jogo a classificação para a próxima rodada e o rebaixamento de uma equipe para a Série D. O único time que já estava tranquilo era o América de Natal. Dois jogos, o Campinense (de Campina Grande, interior da Paraíba) jogou contra o Guarany de Sobral (do interior do Ceará) e o Fortaleza (da capital do Ceará) jogou contra o CRB (de Maceió). Os dois começaram ao mesmo tempo e os resultados foram inacreditáveis.
O jogo Guarany e Campinense foi complicado. O jogo continuou no zero a zero. O time do Campinense foi vaiado pela própria torcida, eles sabiam que o único resultado aceitável era a vitória.
Enquanto isso, o Fortaleza estava ganhando de dois a zero do CRB. Interessante dizer que dois jogadores do CRB foram expulsos na jogada do segundo gol do Fortaleza. O jogador que cometeu a penalidade foi expulso e logo após, o goleiro foi expulso. O que aconteceu? Carlinhos Bala foi chutar e errou o pênalti. O goleiro feliz, supostamente, chutou a bola num gandula. O juiz foi lá e o expulsou por isso. O técnico do CRB já tinha feito três alterações e por isso, um volante teve de ir agarrar.
O intervalo teve outro acontecimento curioso. Os dois times citados agora, demoraram cerca de trinta minutos para voltar ao campo. Trinta minutos, isso mesmo. O Fortaleza trocou de uniforme e apareceu com um branco, igualzinho o do CRB. O juiz, naturalmente, pediu que eles trocassem. Os dois times ganharam vantagem para saber qual era o resultado do outro jogo, que acontecia ao mesmo tempo. Até lá, estava zero a zero ainda.
Guarany e Campinense continuavam lutando um jogo de sangue. Os dois tinham de ganhar. O Guarany conseguiu fazer um gol no final do segundo tempo. No entanto, tal gol foi anulado por óbvia imprudência profissional do árbitro, alegando que o atacante estava impedido. A equipe de Campina Grande conseguiu fazer um gol aos quarenta e seis do segundo tempo. A torcida foi ao delírio.
No ano de 2009 eles caíram da Série B para a Série C, e pelo menos não cairiam para a Série D. A ameaça estava distante e a felicidade reinava. O time completava 9 pontos, deixando o Fortaleza para trás pelo saldo de gols, que agora eram de -1 para -3 do Fortaleza (que ganhava de 2 a 0). Os jogadores não sabiam de nada sobre o atraso do intervalo do outro jogo.
Uma sucessão de fatos estranhos aconteceu no certame da capital do Ceará então. O CRB ficou sabendo do resultado, graças à vantagem de tempo da confusão dos uniformes no intervalo. Os jogadores ficaram felizes. O Guarany perdia e a vaga do CRB estava garantida para a próxima fase. Os jogadores ficaram relaxados: eles poderiam perder esse jogo.
Confesso que não consigo nem começar a pensar em como vou dizer isso, mas vou dizer de qualquer forma. O Fortaleza, com vantagem numérica, ideológica e, aparentemente, econômica fez dois gols no CRB e ficou na Série C, rebaixando o Campinense.
Tudo isso não aconteceu de forma natural. No tape do certame conseguimos ver algumas imagens duvidosas. Quando ainda estava de 2 a 0 e o jogo de Campina Grande havia acabado, o auxiliar técnico do Fortaleza se aproximou do goleiro do CRB para falar algo. Logo após, o time tomou um gol e Carlinhos Bala (atacante do Fortaleza que errara um pênalti no primeiro tempo) fez um sinal de mais um para os zagueiros do CRB que, por sua vez, estavam tranquilos. Em outro vídeo, podemos ver um jogador da equipe de Maceió falando, supostamente, "deixa fazer". Naturalmente, o Fortaleza fez o quarto gol, salvando-se do rebaixamento da Série C em seguida. Tudo isso aconteceu em 20 minutos de jogo. Com direito até a 5 minutos de acréscimo (uma coisa extraordinária no futebol).
Na verdade, isso tudo foi tão natural quanto o intervalo durar trinta minutos, o gol do Guarany ser anulado em Campina Grande, o goleiro do CRB ser expulso por chutar a bola num gandula, o auxiliar técnico do Fortaleza ir conversar com o volante do CRB que estava agora atuando de goleiro, etc. O que aconteceu no futebol nordestino foi uma calamidade.
Dou boa noite, com o vídeo que saiu hoje na mídia. Os jogadores do Ceará, avisam a Aloísio do CRB e ao juiz que o Campinense ganhou de 1 a 0. Também mencionam um suposto cheque.
Deu tudo errado. Até os crimes cometidos não foram maquinados por mentes de grande pensamento. O sistema fez com que os valores se invertessem, os fortes caíram e os fracos continuam jogando.
Peço perdão se o texto ficou confuso, escrevi muito rápido e com muita raiva. Confesso que não entendo muito sobre futebol, mas o futebol, às vezes, acerta a minha alma.
Vídeo com toda a história, por pessoas mais entendidas do que eu:
