sábado, 1 de setembro de 2018

À ver navios


Barcos parece não acreditar que o baú perdido estava no fundo do gol

O mundo do futebol é conhecido por jogadores de várias alcunhas. Na noite de quarta-feira, 29 de Outubro, estava em campo o Pirata. Normalmente, este nome se refere àqueles que têm como características o gozo de velejar atrás de relíquias, rum, e, ocasionalmente, atrás de um tesouro. Pelo menos assim dizem os mitos. Até fizeram filmes para contar essas e outras histórias destes tripulantes. Comum nesses filmes é que, de alguma forma, eles chegam a alguma terra, diferentemente do nosso assunto neste texto. Este jogador demonstra ser um pirata fora do imaginário genérico que passa em nossas mentes. Para ele, o prazer de velejar, sem pressa, sem rumo, parece ser o seu norte.

Hernán Barcos já navegou por várias águas ao redor do planete Terra, passando pelo velho continente e, também, pela poderosa China e sua potência no mercado internacional. Passou por 14 clubes em sua carreira até então. Longe de ser um marinheiro de primeira viagem, o argentino tem 34 anos. No esporte bretão, com esta idade já consideramos o jogador como um veterano.

No escrete e em toda a sua história, uma única verdade permanece constante. Um jogador de ataque necessita de gols. É o ganha pão deles, é o que garante a sua vaga no time titular e, por fim, seu emprego. O gol é a coisa mais preciosa da cancha. Contudo, recentemente, tivemos o privilégio de ver o surgimento fenomenal do atacante que cumpre funções táticas dentro da partida. O futebol praticado nos dias de hoje exige ao jogador que ele feche os espaços, dizem especialistas. O centroavante chega a fazer de tudo: desarmes, corre até a linha defensiva para ajudar na marcação, faz o escambau, menos o gol. No moderno jogo praticado, ou o jogador se encaixa ou ele está fora do conjunto. Brilhantemente, Mauro Cézar Pereira mencionou uma vez os "jogadores lego", referindo-se ao fato de o treinador determinar se um boleiro se encaixa ou não em seu esquema. Este fato até ocorreu na seleção da França, a campeã mundial. Olivier Girould, o bonitão, fez de tudo nas partidas, exceto a barba, o cabelo e o bigode (refiro-me à falta de gol do mesmo). Um fato estranho para qualquer artilheiro de épocas passadas. Um assunto que causa uma discussão para um outro dia.

Barcos busca nas estrelas o caminho da baliza

Taticamente, é dito que a posição do nosso assunto de hoje é aquela que está mais próxima à meta adversária. Portanto, podemos dizer que é ele quem comanda, quem tem a responsabilidade de colocar a bola no fundo do barbante. Com 11 pelejas em seu currículo com a camisa azul, ele marcou incríveis 1 gol. E o que mais salta aos olhos é a quantidade de gols perdidos, a quantidade de terras que Barcos poderia ter conquistado. Se ao menos tivesse algum registro de como e quantas chances já foram perdidas, ficaríamos embasbacados. A conclusão que faço é que ele só pode estar na formação principal por se voluntariar em prol do plantel. E os gols, como ficam? A este ponto, imagino que o tento é como se fosse uma relíquia, mais uma caçada a um baú misterioso, mítico. 

Esta pobre passagem pelo esquadrão azul me faz pensar que de Capitão de sua Fragata, o argentino esteja sendo relegado a um marinheiro comum. Mais uma partida se passa e mais uma vez ele deixa de marcar um gol. Um fato que parece apenas ocorrer no futebol amador pelo mundo afora. Poderia dizer que todo jogador passa por uma fase ruim, seria justo. Todavia a justiça num mundo pirata é algo muito diferente da que temos em terra. E este barquinho parece passar longe de terra. Curiosamente, o experiente marinheiro prefere passear em campo como se tivesse em águas abertas num dia tranquilo, ensolarado e de maré baixa.

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Esse texto foi escrito por Henrique Morais, o nosso novo contribuidor. Todos os créditos da análise são de sua autoria.