Ilustração viva pra cego ver.
Costumeiros, olham ao passado os mortos de Rulfo. E o que fazem os mortos brasileiros? Os do futebol, acredito, exceto o Zagalo - o Antonio Cândido do ludopédio -, ainda choram por aquela nostalgia de algo não vivido, e recusam discussões e atualizações ao esporte. Pior ainda, vale dizer, cometem o maior dos pecados pintando jogadores como modelos, personificações recortadas e "midiaficadas" que nada mais fazem que se utilizarem de seus corpos para argumentos exteriores. Não tenho nada contra modelos, até tenho amigos que são, e a presença deles aqui serve mais para ilustrar o quanto a imagem desses esportistas concentra em si uma congruência de tempos e argumentos, na mesma medida em que escapa de suas próprias mãos o poder de decidir sobre o que está sendo dito, mostrado e apresentado. Poucos são os jogadores que anunciam a si mesmos, como músicos, "can you feel it? Jean Roch says".
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As casas mortas de Rulfo não fazem sentido, basta sair pra ver. Nem precisa sair; oxalá abra a janela e veja!, as casas lá fora também não fazem sentido. É preciso alguém morrer pra ver. Quando Philip Lahm se aposentou precocemente, a promessa era de renovação, de abrir espaço para os jovens brilharem. A nova aposentaria, contudo, diz outra coisa. O que Özil nos diz é que essa renovação não veio e, se veio, veio desfigurada, porque veio dupla. E assim, portanto, inaceitável. As casas lá fora não fazem sentido porque não têm faculdades umas das outras, mesmo vizinhas. E não há nada mais vizinho que o futebol. Ao ponto em que nele, acima de tudo, materializam-se as maiores dificuldades da contemporaneidade, sendo a imigração o exemplo mais pertinente. "Alemão quando ganha" e "Turco quando perde", Özil se pinta como vítima. A meu ver com razão, já que não é o seu futebol letárgico, característico deste seu surgimento (e muito criticado por aqui), que é censurado, e sim sua paixão, seu patriotismo e sua nacionalidade. Consequentemente, sua justificativa enquanto titular da seleção Alemã.
Vamos ressaltar que Erdogan não é um símbolo qualquer, consolidou um enorme poder em si nas últimas eleições deste ano como presidente eleito, após ser primeiro ministro, desde 2002. Além de "sultão", antecipou as eleições vencidas, mudando a constituição; prendeu jornalistas e opositores no pós-tentativa-de-golpe-2016 (os hífens não são para humor); reprime a elevação Curda com unhas e dentes, mesmo tendo-os utilizados como principal ferramenta de combate ao "terrorismo" na Síria... O ponto é: Erdogan é uma figura complicada. Özil, por outro lado, não: ele é apenas um jogador de futebol, uma criança na política internacional. Ele é apenas um modelo. Portanto, nem clubismo é, saiam pra lá!
Özil, mais alemão que nunca.
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As instituições de Rulfo só se fazem de mortas, quando na verdade são a própria tempestade. É da apatia delas que surge toda a violência. São elas que fazem os mortos ecoarem-se. São elas, inclusive, que fazem as casas se desentenderem. Elas não agem, deixam os mortos ecoarem, deixam os mortos se matarem. Mal sabem elas que outra tempestade vem vindo - vem vindo um furacão! E quando o furacão chegar essa apatia não será mais opção, não será mais ferramenta, porque o transtorno será tão grande que as instituições terão realmente que se justificar. Ou melhor, terão que justificar a sua existência. A gente sabe muito bem qual furacão é esse (porque aqui a analogia não é tão arrojada) e sabemos muito bem contra quem ele luta. Esse texto será publicado no dia 26, três dias antes do jogo contra o Vasco, visto que no dia 29 terá também a Libertadores e será tempo de outro falar. Nesse ínterim, mesmo que o Furacão perca, ele será vencedor. Mesmo que ele caia será campeão. E não será sozinho - o Atlético Paranaense foi autorizado a realizar seus jogos na Arena da Baixada sem torcedores rivais (medida paliativa que visa o abrandamento da tempestade que causa a violência que nos mata), transformando em uma só torcida aqueles ali presentes. E é como uma mesma torcida que cantamos:
P.S.: Fui informado aos 45 do segundo tempo que dia 25 foi o Dia do Escritor. Então segue os parabéns ao Paulo André Cren Benini, meu eleito capitão. Segue também para Juan Rulfo, o motivador do texto. Segue a todos os amigxs escritorxs.

