quinta-feira, 19 de julho de 2018

“Lá vem eles de novo”

Imagem adicionada pelo editor chefe para "atrair a criançada".

Nosso blog tá de volta numa data muito conveniente, hoje é dia nacional do futebol. Confesso que eu não sabia, mas fui avisado pelo Google aqui. Então vamo lá! Antes de qualquer coisa, eu não assisto Falha de Cobertura, então você provavelmente não vai encontrar o mesmo tipo de piada aqui. “Provavelmente” porque sei lá o que eles falam, de repente nosso humor é igual. Eu não sei.

Duas copas aconteceram nesse meio tempo e nós continuamos idealistas. Curioso como toda copa marca a gente, né? A vida sempre tá num lugar diferente. Vou falar rapidamente dessa última então. Tivemos dois artilheiros, o VAR e o Own Goal, empatados com 11 tentos cada um até a minha última contagem. O Brasil chegou confiante, mas fracassou triunfantemente e afundou junto da usual soberba propagada pela Globo. Os europeus novamente comprovaram sua hegemonia, muitas vezes contestada com o argumento de que eles se limitam a levar os talentos das Américas e da África. Muitos vão dizer que a França só ganhou por causa dos imigrantes, mas, galera, nasceu e cresceu na França é francês, mérito dos caras. (Fica aí o alerta pros cartolas sulamericanos, tão preocupados com sua conta bancária e com os empregos pros familiares. Tá na hora de investir na base, e nas ligas nacionais! E por que não no futebol feminino também!?) Muito mais que isso, a França foi um time que não dependeu dentro e fora de campo de um só jogador.

Essa copa foi especial pra mim por um motivo: eu tava de férias, então eu só via os jogos e ia rapidinho gastar meu tempo procrastinando. Isso quer dizer que eu vi muito pouco ou nada do que os jornalistas falaram, então todas as análises ficaram por minha conta. Não vou me ater aos esquemas táticos, porque eu não entendo disso, vou deixar pros especialistas. O que eu percebi de mais impactante é que se a Rússia tem uma Geração Putin, que vê o cara como chefe de estado há anos, nós aqui temos a Geração Galvão Bueno. Pensa: em todas as copas que você viu, se você nasceu depois de 1980, ele foi a voz dos gols. A parte boa é que o Galvão é um meme ao vivo; a parte ruim é que é o Galvão, pessoa que manipula e mantém atrasado o nosso jornalismo esportivo. Sempre é ele, um ex-jogador do Flamengo ou do Corinthians e um ex-árbitro que já favoreceu muitas vezes o Flamengo ou o Corinthians comentando os jogos. Aí eles decidem se o jogo foi bom ou ruim, como se fosse um filme. Futebol não é espetáculo nem prestação de serviço, é pra maltratar cardíaco que ele existe mesmo.

Kanu perigoooso... bateu, acabou.” Lembrança do Galvão compartilhada pelo nosso leitor Tiago Clark, de Rancharia-SP.

Gostei bastante da final e torci muito pela Croácia, que jogou melhor, mas não foi objetiva. É bom lembrar também que os dois primeiros gols aconteceram em falha do juizão e atuação implacável do árbitro de vídeo. Resultado: gol contra e gol do VAR. Sonhei várias vezes com a classificação de Senegal, com a Dinamarca na final, com o Japão engolindo a Bélgica, com o título em casa da Rússia ou com qualquer seleção de camisa leve levantando o troféu, mas não foi dessa vez ainda. Quando os times pequenos ganham é mais glorioso: a criminalidade cai, a taxa de natalidade sobe, a emissão de atestados se multiplica e a cerveja nos bares e supermercados acaba. Cês lembram quando o time do Ronaldinho Gaúcho foi campeão da América? Hoje, sem chuteiras, mas ainda nos gramados tocando percussão, ele é incontestavelmente o maior jogador do mundo e um dos melhores da história do Galo.

No geral, foram boas partidas, uma média satisfatória de gols nos acréscimos e uma ansiedade que torturava a gente nos dias que não tinha jogo. Duro mesmo vai ser acompanhar o Brasileirão. Ainda bem que agora existem os aplicativos que me permitem me manter atualizado e fazer o que eu mais gosto, que é opinar sobre assuntos que eu não domino.

Feliz dia do futebol! Não pratique outra atividade física, porque esporte mesmo é só futebol. E rúgbi. Rúgbi é a prova concreta de que um dia a gente viveu na selva.