Imagem adicionada pelo editor chefe para "atrair a criançada".
Duas copas aconteceram nesse meio
tempo e nós continuamos idealistas. Curioso como toda copa marca a gente, né? A
vida sempre tá num lugar diferente. Vou falar rapidamente dessa última então.
Tivemos dois artilheiros, o VAR e o Own Goal, empatados com 11 tentos cada um até a
minha última contagem. O Brasil chegou confiante, mas fracassou triunfantemente
e afundou junto da usual soberba propagada pela Globo. Os europeus novamente comprovaram sua hegemonia,
muitas vezes contestada com o argumento de que eles se limitam a levar os
talentos das Américas e da África. Muitos vão dizer que a França só ganhou por
causa dos imigrantes, mas, galera, nasceu e cresceu na França é francês, mérito
dos caras. (Fica aí o alerta pros cartolas sulamericanos, tão preocupados com
sua conta bancária e com os empregos pros familiares. Tá na hora de investir na
base, e nas ligas nacionais! E por que não no futebol feminino também!?) Muito
mais que isso, a França foi um time que não dependeu dentro e fora de campo de
um só jogador.
Essa copa foi especial pra mim
por um motivo: eu tava de férias, então eu só via os jogos e ia rapidinho gastar
meu tempo procrastinando. Isso quer dizer que eu vi muito pouco ou nada do que
os jornalistas falaram, então todas as análises ficaram por minha conta. Não
vou me ater aos esquemas táticos, porque eu não entendo disso, vou deixar pros
especialistas. O que eu percebi de mais impactante é que se a Rússia tem uma Geração
Putin, que vê o cara como chefe de estado há anos, nós aqui temos a Geração Galvão
Bueno. Pensa: em todas as copas que você viu, se você nasceu depois de 1980,
ele foi a voz dos gols. A parte boa é que o Galvão é um meme ao vivo; a parte
ruim é que é o Galvão, pessoa que manipula e mantém atrasado o nosso jornalismo
esportivo. Sempre é ele, um ex-jogador do Flamengo ou do Corinthians e um
ex-árbitro que já favoreceu muitas vezes o Flamengo ou o Corinthians comentando
os jogos. Aí eles decidem se o jogo foi bom ou ruim, como se fosse um filme.
Futebol não é espetáculo nem prestação de serviço, é pra maltratar cardíaco que
ele existe mesmo.
“Kanu perigoooso... bateu, acabou.” Lembrança do Galvão compartilhada pelo nosso leitor Tiago
Clark, de Rancharia-SP.
Gostei bastante da final e torci
muito pela Croácia, que jogou melhor, mas não foi objetiva. É bom lembrar
também que os dois primeiros gols aconteceram em falha do juizão e atuação
implacável do árbitro de vídeo. Resultado: gol contra e gol do VAR. Sonhei
várias vezes com a classificação de Senegal, com a Dinamarca na final, com o
Japão engolindo a Bélgica, com o título em casa da Rússia ou com qualquer
seleção de camisa leve levantando o troféu, mas não foi dessa vez ainda. Quando
os times pequenos ganham é mais glorioso: a criminalidade cai, a taxa de
natalidade sobe, a emissão de atestados se multiplica e a cerveja nos bares e supermercados acaba. Cês lembram quando o time do Ronaldinho
Gaúcho foi campeão da América? Hoje, sem chuteiras, mas ainda nos gramados
tocando percussão, ele é incontestavelmente o maior jogador do mundo e um dos
melhores da história do Galo.
No geral, foram boas partidas,
uma média satisfatória de gols nos acréscimos e uma ansiedade que torturava a
gente nos dias que não tinha jogo. Duro mesmo vai ser acompanhar o Brasileirão.
Ainda bem que agora existem os aplicativos que me permitem me manter atualizado
e fazer o que eu mais gosto, que é opinar sobre assuntos que eu não domino.
Feliz dia do futebol! Não pratique
outra atividade física, porque esporte mesmo é só futebol. E rúgbi. Rúgbi é a
prova concreta de que um dia a gente viveu na selva.
