segunda-feira, 26 de novembro de 2018

O campeão

Uma vez um amigo meu disse em seu texto sobre as virtudes e defeitos do novo e o antigo esporte bretão. Ali, dissecou em uma, ótima, forma didática. Até ousou em dizer quais são os sonhos para que cheguemos à pós-modernidade do futebol. Um texto que abrangente, sonhador, mas sem esquecer da realidade atual. Aliás, diga-se de passagem, este foi a resenha do companheiro de blog Vitor Brauer, anterior a este que escrevo no momento.

Acredito que, nesta segunda-feira, 26 de novembro, têm histórias mais interessantes para contar. Se você procurar o que aconteceu no mundo da bola neste fim de semana, você encontrará assuntos dos mais diversos, interessantes, polêmicos. Espero que um de nossos colaboradores do blog o façam, tenho certeza de que saíra coisa boa daí. De toda forma, de alguma maneira, eu senti a necessidade de tratar sobre a Sociedade Esportiva Palmeiras e Luiz Felipe Scolari (o Felipão). O clube e treinador recém campeão do Assaí 2018, como diz a CBF. Repetirei este nome, Assaí, algumas vezes durante o texto. É uma piada interna. Assaí, só de falar começo a rir.

Mera foto ilustrativa do campeão do Brasileirão Assaí 2018
E aqui chegamos. Ainda resta mais uma rodada para este Brasileirão terminar. A briga para não ser relegado a segunda divisão está acirrada como de costume. A partir de semana que vem começam-se as especulações sobre contratações, quem entra e quem sai de cada clube. E todo ano discutimos, também, o estado do futebol nacional. É de praxe. Várias análises podem ser feitas e diversos ângulos serão cobertos com minúcias. Neste caso, estou aqui para dar continuidade ao que meu amigo Vitor vinha dizendo em sua breve análise, como ele disse. 

Palmeiras tinha Roger Machado, um técnico que tenta praticar o futebol moderno, o futebol  envolvente, a bola no chão como dizem. Um time que tenha uma movimentação mais fluida no ataque, aquela troca de passes que nos enchem os olhos. Um repertório ofensivo completo. Uma linha defensiva compactada, que pressione e roube a pelota no campo adversário para estar a poucos metros da baliza adversária. Roger tentou aplicar tudo o que sabe e se prega sobre a evolução do futebol. E assim fracassou no comando do time após a décima quinta rodada. O verdão é o time de maior poderio financeiro do país e, por isso, com melhor grupo de jogadores do Assaí. Um dia após a demissão de Machado, Felipão estava lá, iniciando os seus trabalhos. Por mim, seria melhor se ele apenas estivesse iniciando os trabalhos com uma cerveja na mão, diz a moda da internet, suas fotos e  hashtags. Contudo, para o meu desgosto ele estava de volta e comandando mais uma equipe após o vexame do 7x1. 

Muita coisa aconteceu após aquele placar inesquecível. Poderia citar, porém me perdoe, a preguiça falou mais alto. Estou aqui sentado em minha folga do trabalho e tudo o que quero é não ter de adentrar em uma pesquisa, abrir 5, 10 abas da minha ferramenta de navegação. E se tenho que te dizer uma coisa, é que o futebol não mudou. Pelo menos é a impressão que passa. Palmeiras não estava lá tão errado em trocar de técnico naquela altura, naquela hora o esquadrão verde não estava bem como o futebol moderno pede. Definitivamente a entrada de Scolari foi uma surpresa a todos. 

E lá ele foi, com seu jeito de comando. Em uma recém matéria publicada na Folha de São Paulo, Luiz Felipe Scolari disse que impôs ordem ao Palmeiras. Disse, também, que deu uma cobrança um pouco mais incisiva, deixou claro que estava ali para ser campeão e que, para isso, precisava que cada um cumprisse ordens. Fale por você, mas eu fiquei completamente assustado quando li. Olhando com calma e mais distante, não esperaria menos. Ele sempre foi assim, essa figura impositiva. Não atoa ele tem esta alcunha, Felipão, um macho-alfa, o patriarca. Talvez você se lembre na Copa do Mundo de 2002 quando existiu a "Família Scolari". Uma ordem deve estabelecida afinal de contas.

Felipão cala seus críticos após mais uma conquista
Em todos seus clubes que passou ele prezou por uma defesa sólida e uma forma de atacar nada fluida, nada criativa e dependente dos brilhos individuais de seus jogadores. O Palmeiras foi a equipe que mais rebateu bolas neste campeonato. Deixe-me explicar, sabe aquele chutão que os defensores dão para o ataque para afastar e pela pobre forma de elaborar jogadas, foram 32 vezes por jogo. O clube alviverde, também, foi a equipe que mais tentou lançamentos durante o Assaí 2018, uma média de 43 por partida. Vamos analisar rapidamente, não desanime, fique aqui comigo, eu ficarei muito feliz se você continuar até o final. Cada leitura que uma pessoa dá significa muito para nós do blog e para cada um, individualmente. Estas duas jogadas são as antíteses de toda a evolução que o futebol propõe. Isto se dá porque nestas jogadas a bola é alçada ao ar, a sorte. E, na maioria das vezes, a bola fica para o time adversário. Se você quer ganhar uma partida, logo você deve ter a bola em seus pés. E tê-la pela maior parte do tempo deve garantir na, grande parte, as melhores chances para vencer o certame. Cuidar bem do caroço é aonde o futebol pós-moderno se norteia.

Após a maior e mais humilhante derrota do futebol de todos os tempos, o 7x1, o comandante Felipão minimizou a derrota e suas falhas.Todavia, para a sorte dele, desta vez o elenco era o melhor do país. Para a sorte dele, a bola que rola aqui, também, não mudou. Para a sorte dele, o tão sonhado futebol pós-moderno que o meu caro colega, Brauer, apontou anteriormente, não chegou e assim foi campeão do Assaí 2018. Devo dizer que existem méritos nesta conquista, talvez não consiga enxergar, afinal, sou míope. Mas estão lá. Ele foi campeão, certo? 

Jajaja a discussão sobre o futebol praticado, as resoluções para o ano que está por vir, as promessas de melhora, tudo isso será dito daqui até janeiro. Quiçá até fevereiro e seu carnaval. Aí sim o ano irá começar, e tudo continuará normalmente. Alguns passos para frente e milhares para trás. Parece um ciclo interminável, espero que foquemos nos passos que nos leve adiante. À Sociedade Esportiva Palmeiras, ao Felipão, aos jogadores e seus torcedores, parabéns pela conquista. Posso não gostar e nem concordar, mas o respeito sempre deve vir em primeiro lugar.