Ultimamente tenho me encontrado cercado de dúvidas, das mais diversas. Me sinto sem respostas às indagações que faço interior. Então, não sei lá muito bem o que sairá deste texto ao final e assim é a paixão e a objetividade. Existe uma grande dificuldade ao analisarmos certos assuntos que nos envolvem emocionalmente e, ainda sim, sermos justos, objetivos e, por fim, reconhecer o certo e errado. Normalmente prefiro dizer que existem apenas caminhos, e que cada decisão leva a um caminho diferente. Exceto o óbvio ululante.
Isto posto, reflito como este esporte tem impactado a mim durante todos estes anos. Já passei momentos em que acompanhava afinco, ora indo ao estádio, por outra escutando na pachequíssima rádio Itatiaia. Esta, por sinal, me causa um grande mal estar. Não gosto destes tipos de emissoras que parecem mais torcer para os times locais e que preferem passar a mão na cabeça dos times e seus cartolas para conseguir perguntas sem nenhuma relevância aos fins de jogos.
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| Vista aérea do antigo Mineirão e seus arredores |
Anos se passaram, as ridículas participações em Copas do Mundo, a pobreza do futebol jogado nos campeonatos caseiros continuou e o cinismo entrou. Nessa época, há alguns anos, já estava deixando de lado o futebol. Mal vi o meu time ser campeão duas vezes
da maior competição nacional. Compartilhava uma alegria aqui e ali, mas alguma coisa parecia errado. Passei a ver o negativo em tudo e no jogo também. Sabia destrinchar da cabeça aos pés as mazelas. O mal jogo praticado, os técnicos com estilos ultrapassados, dirigentes dos times cometendo decisões questionáveis a todo instante, chegando, claro, até a piada maior, a Confederação Brasileira de Futebol. Justo nós, tido como o país do futebol, o maior celeiro de talentos de todo este planeta.
da maior competição nacional. Compartilhava uma alegria aqui e ali, mas alguma coisa parecia errado. Passei a ver o negativo em tudo e no jogo também. Sabia destrinchar da cabeça aos pés as mazelas. O mal jogo praticado, os técnicos com estilos ultrapassados, dirigentes dos times cometendo decisões questionáveis a todo instante, chegando, claro, até a piada maior, a Confederação Brasileira de Futebol. Justo nós, tido como o país do futebol, o maior celeiro de talentos de todo este planeta.
Nesse momento, me vejo numa situação nova. Várias questões pessoais mudaram nesta última década vivida e a natureza desta vida têm me mostrado muito benéfica. Até para uma pessoa do contra. Todos conhecemos este tipo de pessoa, preferem torcer a mão do que reconhecer algo. “Jamais me renderei ao futebol moderno” esta e outras frases sobre vários assuntos. De toda forma, os tempos mudaram, e aqui estou escrevendo e voltando a acompanhar futebol. Não com a mesma paixão de antes mas animado e vivo.
Há duas semanas atrás eu me dei a oportunidade de ver o jogo do Cruzeiro contra o Boca Juniors. Saí mais cedo do trabalho, comprei cerveja, tinha petiscos, tinha meu pai, minha mãe, minha tia e meu tio. Tava animado, promessa de jogo bom, de emoção para os dois lados. Me deu até vontade de ir ao estádio com meu pai novamente. Reviver uma antiga experiência. Seria legal. Talvez. Os estádios antigos morreram. Nenhuma destas Arenas, que parecem mais shopings, podem trazer de volta aquela sensação. Era diferente, melhor ou pior, acredito que aquilo ali era mais real. Inclusive os tremores das instalações quando os torcedores pulavam nas arquibancadas. Era o máximo, pergunte a qualquer um.
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| Gol da vitória do boca juniors |
Há duas semanas atrás eu me dei a oportunidade de ver o jogo do Cruzeiro contra o Boca Juniors. Saí mais cedo do trabalho, comprei cerveja, tinha petiscos, tinha meu pai, minha mãe, minha tia e meu tio. Tava animado, promessa de jogo bom, de emoção para os dois lados. Me deu até vontade de ir ao estádio com meu pai novamente. Reviver uma antiga experiência. Seria legal. Talvez. Os estádios antigos morreram. Nenhuma destas Arenas, que parecem mais shopings, podem trazer de volta aquela sensação. Era diferente, melhor ou pior, acredito que aquilo ali era mais real. Inclusive os tremores das instalações quando os torcedores pulavam nas arquibancadas. Era o máximo, pergunte a qualquer um.
Talvez eu só esteja sendo saudosista, sempre buscamos o passado como uma forma de nos trazer conforto de alguma forma. Assim como foi assistir o jogo junto ao meu pai. Hoje, estou feliz de estar aqui escrevendo com este grupo de amigos, acompanhando de uma forma mais saudável e menos objetiva. Acredito que somos indivíduos que tomam a maioria das decisões com mais paixão do que objetividade de fato. Ultimamente está muito claro, para mim. Talvez eu esteja errado. Sei que naquele dia do jogo a paixão prevaleceu, e me senti melhor do que se eu realmente tivesse sentado para analisar aquele jogo. Já me sinto pessimista a maior parte do tempo, pelo menos ultimamente tenho conseguido reconhecer alguns momentos onde a paixão e o otimismo tenham mais cor.

