domingo, 3 de junho de 2012

O Bom e o Mau no futebol

Não, não se deve falar da seleção brasileira hoje. Assistir a uma partida dela de quatro em quatro anos já configura uma frequência muito alta pra mim. Vou traduzir, em palavras, uma reflexão minha sobre os torcedores de verdade: aqueles que torcem pros perdedores. Vocês também não acham que esse número abusivo de fracassos dessas equipes cria um laço de união entre os tifosi? Um time que ganha tudo é muito sem graça. Eu já ouço dos entusiastas frases como: "Eu torço pelo Messi, mas nunca pelo Barcelona."

Estudos realizados por pesquisadores entendidos do assunto mostram que isso está se tornando universal. A Inglaterra é, provavelmente, o primeiro país a sofrer mudanças sérias quanto a isso. Manchester City e Chelsea se sagraram campeões do Campeonato Inglês e da Liga dos Campeões desse ano, respectivamente. A questão é que esses dois times pouco tinham feito pelos seus torcedores até então. Torcer para esses underdogs, pra essas zebras é muito mais interessante. Traz de volta aquela emoção que os antigos dizem que havia umas décadas atrás e que eu nunca senti.

A vitória e, por conseguinte, o título, se tornam muito mais prestigiosos quando vê-se que jogadores e torcedores levantam um troféu que simboliza não um campeonato conquistado, mas sim uma dívida paga com a história, que ousou ser tão cruel com aqueles que, por amor, escolheram o time da parte mais suja da cidade. Diferente dos rivais, que escolheram o time que tinha mais chances de se tornar vencedor. Em outras palavras, os torcedores dos bons times não devem ser chamados de torcedores porque não sabem torcer. São maus torcedores. No futebol, torcer deve ser associado a sofrer. E é justamente esse sofrimento que une esses torcedores, os bons torcedores dos maus times. Eles se reconhecem a distância, porque um se compadece pela causa do outro.

E você, caro leitor, se já se pegou torcendo para o América de Belo Horizonte, para a Portugesa de São Paulo ou para o Juventude de Caxias, você é um bom torcedor. São os melhores exemplos dos times que fazem que vão mas sempre ficam. Você, sem dúvida, é daqueles que adora torcer pros times raçudos e bonitinhos da África em Copas do Mundo. Você sabe apreciar o espetáculo, você sabe o que é futebol. Meus parabéns! 2012 é muito tarde para clubismo.


E uma pequena nota da redação: vocês viram que o Chelsea está realmente tentando deixar de ser um mero coadjuvante. Com a saída de Didier Drogba, estão chegando Hulk, do Porto e Hazard, do Lille. O nosso Hulk vai ter, agora, a oportunidade de mostrar serviço, porque a fraca liga portuguesa não serve nem de pré-temporada pros times mineiros da Série B. Aliás, na Série B tem tanto underdog esse ano que eu estou inclinado a me dedicar só a ela. Mas enfim, se vencer se tornar rotina na vida dos Blues, eu vou parar de acompanhá-los. Vou, sei lá, torcer pro Everton ou pro Stoke City. Times que entendem de fibra moral.